17/08/2020 09h00 - Atualizado em 17/08/2020 09h17

Grupo religioso é investigado por pressionar família da menina de 10 anos estuprada pelo tio

Segundo apurações, movimento teria pressionado a família a não autorizar o aborto
Por: Daniel Larusso - Foto: Reprodução / Facebook
Grupo religioso é investigado por pressionar família da menina de 10 anos estuprada pelo tio

Neste domingo (16), o caso da criança de 10 anos que engravidou depois de ser estuprada pelo tio ganhou repercussão nacional. A menina, através de decisão judicial, conseguiu o direito de realizar um aborto mesmo com a gestação avançada, devido à gravidade do caso.

De acordo informações, a Promotoria da cidade de São Mateus (ES) investigará o caso. As autoridades irão constatar se houve pressão externa nos familiares da menina para que o aborto não fosse executado.

A criança residia com os avós que ainda não se manifestaram sobre o caso.

Pessoas de um movimento antiaborto fizeram uma manifestação em frente ao hospital onde a vítima estava internada, após a bolsonarista Sara Winter divulgar nome da vítima e endereço do hospital onde ela estava. A coordenadora da unidade de saúde informou que um grupo de “fundamentalistas religiosos” foi até o local e chamou os médicos de assassinos. Um outro grupo de manifestantes, de defesa dos direitos sexuais e reprodutivos, foi ao local para impedir que os ativistas antiaborto invadissem o hospital. Em vídeos que circulam nas redes sociais, o grupo antiaborto aparentava ter cerca de 40 pessoas.

A Promotoria da Infância e da Juventude de São Mateus também decidiu investigar se pessoas ligadas a grupos políticos foram até a casa da família para pressionar a avó a não autorizar o aborto. O MP deve apurar áudios de conversas de pessoas que estariam pressionando a família da criança a não interromper a gravidez.

“E essa equipe que eu tô colocando à disposição da senhora é uma equipe de especialistas, médicos, ginecologistas, médicos que sabem lidar com esse tipo de situação. E tão dando toda a garantia que fazer o que eles querem fazer agora é mais risco do que levar a gestação à frente e fazer uma cesárea com anestesia, com tudo correto, entendeu?”, diz um homem em áudio obtido pela TV Globo.

O Tribunal de Justiça do Espírito Santo deve prestar informações sobre as providências tomadas nesse caso nos próximos dias

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