06/12/2018 09h36 - Atualizado em 06/12/2018 11h44

Programa Supersônico entrevista guitarrista do RPM

Banda retorna com duas novas músicas
Por: Carlinhos Kunde / Acústica FM - Fotos: Divulgação
Programa Supersônico entrevista guitarrista do RPM

Confortavelmente estabelecido como uma das maiores instituições do rock brasileiro de todos os tempos, o RPM está de volta. Mais uma vez. Só que agora sem o baixista, vocalista e sex symbol dos anos 80, Paulo Ricardo. Fernando Deluqui, guitarrista da banda, convidou o também cantor e baixista Dioy Palone, para, a partir de agora, revezar os vocais.

Enquanto corre na justiça uma disputa pelo nome RPM (Paulo Ricardo registrou a marca sozinho, em 2004), a banda não para. Já tem duas novas músicas (“Ah! Onde Está Você”, com vocais de Dioy) e “Escravo da Estrada” (que tem Deluqui no microfone) e há indícios de um álbum inteiro de novas canções sendo produzido. A entrevista a seguir foi gentilmente cedida por Deluqui via email.

Confira a entrevista abaixo:

Como tu tens visto a reação do público que ouve as novas músicas e percebe os sintetizadores de Schiavon mais contidos, quase em segundo plano, em relação às guitarras?

Na maioria dos casos a galera está gostando pois havia tempos o público nos cobrava músicas com mais punch. A nova fase será mais aberta, com os arranjos mais variados onde em um momento teremos mais guitarras e outros mais teclados... A composição é que vai determinar o arranjo. Quando conversamos sobre a continuação da banda, combinamos que tudo seria decidido em conjunto e, a partir desse momento, as coisas começaram a fluir com mais rapidez.

Porque a guinada para uma sonoridade mais hard rock do que eletrônica - que sempre foi uma das características marcantes da banda?

Como eu disse havia uma cobrança nesse sentido e também, as minhas composições têm o meu instrumento como eixo. Sendo assim é natural que haja mais guitarra agora. Mas acredito que as características techno da banda estão lá. Veja em “Ah! Onde está você”, as sequências programadas, camas e cordas do Schiavon. Na minha opinião, nunca soaram tão bem e tão bem equilibradas com o restante da banda. Creio que teremos muito material novo com o DNA do RPM e muito punch também.

O que muda na banda com a chegada do novo baixista e vocalista Dioy Palone?

Essa é outra razão para estarmos avançando pro rock. Dioy, que é de São Carlos (município localizado no interior do estado de São Paulo), é fã do Kiss, Yes e outras bandas bacanas e leva isso muito a sério. Ele também tem muito conhecimento técnico e musical que estão fazendo diferença no resultado final. Isso tudo, além de ser um cara muito bem humorado e que faz o dia a dia da banda mais leve. Ele é muito engraçado. Umas das primeiras coisas que disse, quando estava chegando em São Paulo pela primeira vez, é que estava louco pra urinar na Marginal (rodovia que margeia o rio Tietê, em São Paulo)... é assim o tempo todo, muita zoeira.

O revezamento nos vocais entre você e Dioy é algo planejado, ou um dos dois vai assumir o microfone na maioria das canções?

É planejado e devemos manter os dois fazendo vocais. Assim teremos dois timbres, mais potência, menos cansaço e vozes abertas, uma nova marca da banda.

Quais os planos imediatos? Fazer shows e ir testando as novas canções aos poucos ou gravar um novo álbum e só então sair em turnê?

Vamos gravar inéditas, duas a duas e ir lançando aos poucos. Quando tivermos canções suficientes, vamos compilar e lançar o álbum. Fizemos alguns grandes shows com receptividade excelente por parte do público e temos algumas datas em 2019. Estamos começando a divulgação nas redes sociais RPMonline e devemos ir pra TV no início do ano. A banda deve crescer pois estamos fazendo um trabalho muito elogiado. Os novos singles e vídeos “Ah! Onde Está Você” e “Escravo da Estrada”, têm surpreendido.

Com um cenário atual completamente diferente de 30 anos atrás (rock em baixa no gosto popular, venda de álbuns quase inexistente), como a banda tem se adaptado e sobrevivido?

Como a nova música diz, somos “Escravos da Estrada”. Vivemos de shows. Como tubarão, parou de nadar, morre. Estamos encontrando uma maneira de continuar na estrada fazendo shows.

Há algo que tu te arrependes de ter feito (ou não ter feito) na tua carreira?

Ah, sempre há algo que poderia ter sido feito de uma maneira melhor, então, não há como não se arrepender. Mas somos o que somos graças ao passado. São os desígnios de Deus, não penso nisso.

O caso da propriedade do nome RPM segue na justiça. Se houver ganho de causa em favor de Paulo Ricardo num futuro próximo, a banda pretende continuar junta, com outro nome?

Não há como o Paulo vencer pois a sentença, com relação ao uso da marca, já foi dada. A marca pertence aos quatro integrantes, nas mesmas medidas. Até o INPI já publicou a decisão. Somos a maioria e queremos continuar. Não há o que fazer para o Paulo a não ser mentir e causar.

Tu já gravaste com artistas como Milton Nascimento, Bezerra da Silva e Humberto Gessinger. Tem alguém que tu gostarias de trabalhar e, por algum motivo, ainda não aconteceu?

No momento eu quero trabalhar cada vez mais com a banda e colher os frutos em forma de sucesso e reconhecimento do grande público. Não tenho pensado em outros caminhos.

Existe alguma banda brasileira que, na tua opinião, tem potencial para ser o “novo RPM” (no que tange à popularidade e qualidade)?

Não, foi um momento que não volta mais. Pelo menos a curto prazo... O mercado mudou muito. Não há mais aquele sucesso de “música estourada”. Mas com a arte tudo pode mudar e estamos aí pra revolucionar mesmo.

Em relação a quando o RPM lançou o primeiro álbum (1985), montar uma banda e viver de música em 2018 é mais fácil ou mais difícil?

Depende. A grosso modo, se você quer tocar rock ficou mais difícil mas se você é do sertanejo é mais fácil. Mas tudo depende do quanto a sua banda toca. Se a banda vai pra estrada e faz shows, a banda vai continuar.

O que tu achas que o RPM versão 2018 traz para cativar uma geração nova de fãs que não viveram musicalmente os anos 80 e 90?

Trazemos a mesma coisa... deu certo lá, vai dar certo aqui. Claro que tentamos equilibrar a modernidade com a sonoridade antiga, mas a nossa pegada é conhecida do grande público. Shows com produção esmerada, execução impecável ao vivo e muito material novo. A sonzera vai rolar forte.

O que tu tens ouvido e o que não sai do teu fone de ouvido nunca?

Led Zeppelin. Como é bacana... texto atual, arranjos criativos e uma pegada animalesca. Uma música apaixonante. Cresci nos anos 70, não largo os bons...

Quais são as maiores influências do RPM e como isso reflete na música da banda?

Temos em comum a influência do rock progressivo do Pink Floyd, Genesis, Yes e outros. Outra coisa que temos em comum é o gosto pela limpeza da new wave. Individualmente também, como a guitarra de Jimi Hendrix é pra mim, temos outras influências que aparecem no multifacetado RPM. Parece complicado, mas no estúdio quando plugamos os instrumentos e saímos tocando e gravando, é tudo muito rápido e intuitivo. Não temos tempo a perder.

Os versos de “Juvenília” (“Terra linda / Sofre ainda a vinda de piratas / Mercenários sem direção”) continuam atuais, 33 anos depois, infelizmente. Como a banda se relaciona com temas políticos e sociais hoje em dia? Ainda há interesse de colocar esse tópico nas letras?

Sim, ainda há interesse em criticar. Nossas canções são retratos dos momentos que vivemos. A política hoje está muito presente nas nossas vidas e temos que cuidar pois nosso futuro está em jogo. Tocar e cantar é muito divertido e nos dá prazer mas também temos o direito de falar sobre o que não nos agrada. Ou não?

Programa Supersônico entrevista guitarrista do RPM
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