Operação de resgate

Idosa de 84 anos é resgatada em condições análogas à escravidão

Ela vivia em condições análogas à escravidão desde os 12 anos de idade
Por: Gil Martins
Publicado em: 14/05/2022 às 11h53
Atualizado em: 14/05/2022 às 12h18
Idosa de 84 anos é resgatada em condições análogas à escravidão Foto: Ilustração/Pixabay

Uma idosa de 84 anos foi encontrada em condições análogas à escravidão em uma casa na Zona Norte do Rio de Janeiro. Segundo o Ministério do Trabalho e Previdência, esse é o caso com o maior período de exploração já registrado no país. Ela trabalhou como doméstica por 72 anos para a mesma família, desde os 12 de idade.

Na época, a vítima foi levada por familiares dos patrões dos pais dela, com a promessa de estudar na capital, o que não aconteceu.

Atualmente, mesmo com idade avançada, ela continuava exercendo atividades laborais, principalmente como cuidadora da patroa, que também tem 84 anos.

 O resgate foi feito por auditores-fiscais do Trabalho da Superintendência Regional do Trabalho no Rio de Janeiro e teve início no dia 15 de março. Ela foi encontrada dormindo em um sofá, em espaço improvisado como dormitório em local de acesso ao quarto da empregadora.

O trabalho foi considerado análogo à escravidão porque, entre outros fatores, havia vínculo de emprego sem pagamento de salários e sem férias durante mais de setenta anos. A trabalhadora doméstica também não podia manter contato com os familiares e o cartão e senha da aposentadoria dela estavam com o patrão.

De acordo com o Ministério do Trabalho, os auditores-fiscais notificaram o empregador do afastamento da empregada do ambiente de trabalho e da necessidade da assinatura da Carteira de Trabalho e do pagamento das verbas rescisórias.  Segundo cálculos do Ministério, esses valores chegam a aproximadamente R$ 110 mil.
 
Somente este ano, cinco mulheres foram resgatados de trabalho escravo doméstico nos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Paraíba e Rio Grande do Sul.  Em 2021, foram resgatados 30 trabalhadores nessa mesma situação, o maior número desde 2017.

Texto: Fabiana Sampaio/Agência Brasil