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Publicado em 29/11/2019

O poder da caneta

Por: Simone Cortez

Há muito tempo que a palavra se perdeu dando lugar ao papel e a caneta. Os valores mudaram e infelizmente é preciso nos adaptarmos a essa triste realidade para não sofrermos as consequências no mínimo materiais, já que as morais parecem perdidas. O “fio do bigode” nas negociações, o caderninho do mercadinho ou honrar um casamento, por exemplo, deram lugar a longas laudas processuais pelo descumprimento de contratos, celeumas familiares e ao direito do consumidor.

As questões familiares e os péssimos serviços prestados pela administração pública, deixamos para outro momento. A crítica se faz no nosso dia a dia porque a base já está viciosa. O hipossuficiente consumidor também é vilão, muitos contratam  inclinados a não honrarem com seus compromissos e ainda se sentem no direito de buscarem danos morais como forma de enriquecimento ilícito.

Ninguém é tão vítima no “mercado menor” quando se vai a uma lanchonete e o suco não está tão gelado, se aluga um apartamento e percebe depois o cheiro ruim do carpete, ou se atrasa um semestre inteiro na escolinha de futebol do filho porque seu filho arranhou o joelho e se sentiu injustiçado, desculpas esfarrapadas tem aos montes por aí.

Saindo dessa deformidade moral que se alonga tranquilamente por cinco anos na justiça, a teoria de que um caderno e uma caneta podem mudar o mundo me agrada, pois o peso de uma caneta é mais leve que de uma pá, já diziam filósofos. Sem juízo de valor a nenhuma profissão, bem pelo contrário, as mais necessárias de hoje são as mais escassas como o eletricista, encanador, costureira, sapateiro, alfaiate.

A defesa à caneta se dá para quem não se oportunizou ser um bom eletricista, que na minha concepção, ele é o cara! Sim, não se oportunizou! Respeito opiniões contrárias, mas falta de oportunidade não é só jogar a culpa no governo ou políticas públicas, quem as cria somos nós, nós que nos oportunizamos a elas. Nada cai do céu, gente, só a chuva! Conheço pessoas em igual situação de miséria que trilharam caminhos diferentes, então não me venham com “chorumelas”.

Devemos gritar, espernear, exigir dos homens maiores, os quais têm o real poder da caneta, mas agora, esperar? No mínimo, daqui uns anos, você olhará para trás e perceberá, que quem deveria olhar por você, era você mesmo! O tempo não volta!

#Dilemasdomundomoderno

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