Novidade em meio a pandemia

Anvisa recebe pedido de testes humanos de vacina brasileira em spray

O imunizante será aplicado em forma de spray nasal, sem a necessidade de injeção
Por: Victor Ribeiro/Agência Brasil
Publicado em: 22/10/2021 às 08h11
Atualizado em: 22/10/2021 às 08h23
Anvisa recebe pedido de testes humanos de vacina brasileira em spray Algumas pessoas resistem em tomar vacina porque têm fobia de agulha. Esse medo se chama tripanofobia. Foto: Pixabay

Um grupo de pesquisadores brasileiros apresentou, nesta quinta-feira, à Anvisa o pedido para testar em voluntários humanos uma nova vacina contra a covid-19. O imunizante será aplicado em forma de spray nasal, sem a necessidade de injeção.

O professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e diretor do Laboratório de Imunologia do Instituto do Coração, Jorge Kalil, é o coordenador do estudo e explica que a vacina iniba o crescimento viral já na mucosa nasal.

Algumas pessoas resistem em tomar vacina porque têm fobia de agulha. Esse medo se chama tripanofobia. Mas a ideia de produzir uma vacina em spray nasal não se limita a esse público. Foi uma decisão estratégica para induzir diferentes tipos de resposta de defesa do nosso corpo, como explica o médico Jorge Kalil.

Até agora, os testes foram feitos em laboratório e em animais. Só após a autorização da Anvisa será possível conduzir o estudo em humanos. A previsão é que isso ocorra em janeiro do ano que vem, com 280 voluntários. Todos vacinados, porque o spray deve atuar como reforço para ampliar a resposta imune das demais vacinas.

O coordenador da pesquisa, Jorge Kalil, está animado com os resultados positivos observados na pesquisa pré-clínica.

Essa vacina em spray usa uma técnica de produção inédita e totalmente nacional, resultado de pesquisas feitas na USP em parceria com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Diferente das vacinas atuais, que usam a proteína spike, a vacina do Instituto do Coração utiliza peptídios derivados de proteínas que compõem o vírus. Esse material é inserido em nanopartículas, que são estruturas minúsculas, capazes de atravessar a barreira de cílios e muco presentes no nariz e chegar às células.

A expectativa é que o imunizante tenha baixo custo e esteja disponível já em 2022.